15 livros de filosofia para você se aprofundar nessa ciência humana

Para àquelas pessoas que estão sempre questionando e buscando reflexões novas sobre a vida, a sociedade e outros conhecimentos, os livros de filosofia são pratos cheios de alimento! 

Acredita-se que o termo Filosofia tenha sido cunhado pelo filósofo e matemático grego Pitágoras. É a junção de duas palavras do grego antigo: Philos, que significa amor ou prazer; e Sophia, sabedoria. O amor ou prazer pela sabedoria é o fio condutor da filosofia, é esse sentimento que impulsionou indivíduos desde a antiguidade a investigar e refletir sobre os assuntos mais profundos e desenvolver conceitos.

É nos livros de filosofia que podemos nos aproximar um pouco mais de como pensaram grandes estudiosos sobre diversos assuntos em suas épocas, como eles foram influenciados ou influenciaram outros. Através das palavras escritas, os livros de filosofia são capazes de nos transmitir conhecimento e nos fazer refletir e criar novas sínteses para pensar também a nossa época e como fomos influenciados por pensamentos formulados lá atrás. 

No post de hoje, selecionamos 15 livros de filosofia para você conhecer e se aprofundar mais nas reflexões e discussões sobre essa ciência do pensamento. Seja você um iniciante ou não, temos dicas que com certeza vão te despertar reflexões sobre a sociedade e o indivíduo. 

Boas leituras!

Livros de filosofia para iniciantes

1. O Mundo de Sofia (1991), Jostein Gaarder

Nossa primeira indicação para quem quer se aproximar do universo dos estudos filosóficos é o romance O Mundo de Sofia, do escritor e professor de filosofia Jostein Gaarder. Próxima de completar seus 15 anos, Sofia recebe cartões postais anônimos vindos do Líbano. Neles, ela encontra perguntas como “Quem é você?” e “De onde vem o mundo?”, que são o ponto de partida para uma série de correspondências que vão se tornando um verdadeiro curso de filosofia ocidental, enquanto a história de Sofia vai tomando  rumos cada vez mais surpreendentes.

Mas a vida é triste e solene. Somos deixados num mundo maravilhoso, encontramo-nos aqui com outras pessoas, somos apresentados uns aos outros e caminhamos juntos durante algum tempo. Depois nos separamos e desaparecemos tão rápida e inexplicavelmente quanto surgimos.
O Mundo de Sofia. Jostein Gaarder
Tudo o que o homem faz pode ser usado para o bem ou para o mal (…). Bem e mal são como dois fios, um branco e outro preto, que a toda hora se entrelaçam. E às vezes se emaranham de tal forma que não é possível separá-los.
O Mundo de Sofia. Jostein Gaarder
'Ser ou não ser' não seria, portanto, a questão central. O importante seria perguntar, também, o que somos. Será que somos pessoas de verdade, feitas de carne e osso? Será que o nosso mundo consiste em coisas reais, ou será que tudo o que nos cerca não passa de consciência?
O Mundo de Sofia. Jostein Gaarder

2. A filosofia: O que é? para que serve? (2011), Danilo Marcondes, Irley Franco

Neste livro de apenas 156 páginas, os autores Danilo Marcondes e Irley Franco discorrem sobre os principais questionamentos que cercam a filosofia e como as respostas para eles variam em pontos distintos da história da filosofia ocidental. Para além de explicar o que é a filosofia e comentar os principais filósofos, você encontra neste livro também esclarecimentos sobre como se forma o pensamento filosófico e as formas e estilos de escrita dele.

Todo filósofo enfrentou ou enfrentará, em algum momento, dúvidas quanto ao sentido da filosofia: O que é? Qual escolher? Para que serve sua matéria? Qual o melhor caminho a seguir? Pois a filosofia enquanto pensamento crítico e reflexivo tem como característica colocar a si mesma em questão. Porém, como dizia o próprio Aristóteles, até para questionar o logos é preciso utilizá-lo.
A filosofia: O que é? para que serve? Danilo Marcondes, Irley Franco
A compreensão da filosofia como busca da verdade teve sua origem em Sócrates, o primeiro filósofo a se preocupar com definições universais no âmbito da moral e que, à diferença de Platão, seu discípulo, acreditava que era possível chegar a esses universais através dos particulares, pois considerava que a essência das coisas estivesse nas próprias coisas e não fora delas. Por essa razão, Sócrates andava pelas ruas de Atenas, investigando e questionando tenazmente as opiniões dos cidadãos.
A filosofia: O que é? para que serve? Danilo Marcondes, Irley Franco

3. Convite à filosofia (2000), Marilena Chauí

Escrito por um dos maiores nomes no ensino de filosofia no Brasil, Convite à Filosofia de Marilena Chauí tem o poder de conduzir reflexões profundas à conceitos de grandes pensadores com uma linguagem fluida e acessível. Para além dos temas vastos relacionados ao pensamento filosófico no corpo do texto, Marilena ainda apresenta um manual do professor com revisões curtas e questões e respostas ao final de cada capítulo. 

Quando pergunto “que horas são?” ou “que dia é hoje?”, minha expectativa é a de que alguém, tendo um relógio ou um calendário, me dê a resposta exata. Em que acredito quando faço a pergunta e aceito a resposta? Acredito que o tempo existe, que ele passa, pode ser medido em horas e dias, que o que já passou é diferente de agora e o que virá também há de ser diferente deste momento, que o passado pode ser lembrado ou esquecido, e o futuro, desejado ou temido. Assim, uma simples pergunta contém, silenciosamente, várias crenças não questionadas por nós.
Convite à Filosofia. Marilena Chauí
Imaginemos, agora, alguém que tomasse uma decisão muito estranha e começasse a fazer perguntas inesperadas. Em vez de “que horas são?” ou “que dia é hoje?”, perguntasse: O que é o tempo? Em vez de dizer “está sonhando” ou “ficou maluca”, quisesse saber: O que é o sonho? A loucura? A razão?
Convite à Filosofia. Marilena Chauí
A Filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do senso comum e, portanto, começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber; por isso, o patrono da Filosofia, o grego Sócrates, afirmava que a primeira e fundamental verdade filosófica é dizer: “Sei que nada sei”.
Convite à Filosofia. Marilena Chauí

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4. A República (século IV a.C.), Platão

Se alguém pensa em livros de filosofia, a República de Platão certamente será um (senão o primeiro) a ser citado. O livro é um diálogo narrado em primeira pessoa por Sócrates, mestre de Platão, sobre os princípios que norteiam uma sociedade, passando por questões éticas, políticas, jurídicas e estéticas.

O mau que não é descoberto se torna pior ainda, ao passo que, quando descoberto e castigado, o elemento bestial se acalma e suaviza…
A República. Platão
É possível executar uma coisa tal como se descreve? Ou é próprio da natureza das coisas que a execução tenha menos influência sobre a verdade que o discurso…?
A República. Platão
Quem critica a injustiça fá-lo não porque teme cometer ações injustas, mas porque teme sofrê-las.
A República. Platão

5. O Príncipe (1532), Nicolau Maquiavel

Obra fundadora da ciência política, O Príncipe é uma reflexão sobre os princípios do Estado e a conduta daquele que o governa. Em 26 capítulos curtos, passa por questões de ética, moralidade, vícios e virtudes.

Precisando, portanto, um príncipe, de saber utilizar bem o animal, deve tomar como exemplo a raposa e o leão: pois o leão não é capaz de se defender das armadilhas, assim como a raposa não sabe defender-se dos lobos.
O Príncipe. Nicolau Maquiavel
Quem vence não quer amigos suspeitos e que não ajudem nas adversidades; quem perde não te aceitará porque não quiseste, de armas na mão, correr a mesma sorte.
O Príncipe. Nicolau Maquiavel
O príncipe faz-se estimado quando sabe ser verdadeiro amigo e verdadeiro inimigo, isto é, quando, sem qualquer preocupação, age abertamente em favor de alguém contra um terceiro. Essa atitude será sempre mais útil do que conservar-se neutro.
O Príncipe. Nicolau Maquiavel

6. Discurso do Método (1637), René Descartes

Em Discurso do Método, temos a fundamentação e explicação de toda a abordagem lógico-dedutivo que Descartes aplicava aos seus estudos, aplicada à filosofia, numa reflexão de como ela pode ser base para o estudo de qualquer outra área do conhecimento humano. 

O espetáculo do mundo nos oferece freqüentemente cenas de violência e intolerância, nascidas de preconceitos que querem se impor pela força, na ausência de questionamentos e, sobretudo, do exercício da razão. O senso comum de uma época, qualquer que seja, não é nem pode ser critério de verdade.
Discurso do Método. René Descartes
O encontro com a verdade não tem nada de dogmático, ele significa somente um encontro da razão consigo mesma num procedimento livre e metódico.
Discurso do Método. René Descartes

7. Crítica da Razão Pura (1781), Immanuel Kant

Um dos livros de maior influência no pensamento da filosofia moderna, Crítica da Razão Pura é o primeiro volume das Críticas de Kant, seguido por Crítica da Razão Prática (1788) e Crítica do Juízo (1790). Nesta obra, Kant cria um debate filosófico em torno da razão, dos seus princípios e contradições, no confronto de ideias a partir da consciência. 

Todo o conhecimento exige um conceito, por mais imperfeito ou obscuro que ele possa ser.
Crítica da Razão Pura. Immanuel Kant
A experiência é sem qualquer dúvida o primeiro produto que o nosso entendimento obtém ao elaborar a matéria bruta das sensações.
Crítica da Razão Pura. Immanuel Kant

8. Fenomenologia do Espírito (1807), Georg W. Friedrich Hegel

A Fenomenologia do Espírito é uma obra considerada tanto importante quanto difícil de ser lida. É uma tentativa de estruturar um Sistema de Filosofia, Hegel trata de como a consciência/mente se forma em seus enfrentamentos com o mundo físico. 

O que está expresso na representação, que exprime o absoluto como espírito, é que o verdadeiro só é efetivo como sistema, ou que a substância é essencialmente sujeito.
Fenomenologia do Espírito. G. W. F. Hegel
O espírito, que se sabe desenvolvido assim como espírito, é a ciência. A ciência é a efetividade do espírito, o reino que para si mesmo constrói em seu próprio elemento.
Fenomenologia do Espírito. G. W. F. Hegel

9. Genealogia da Moral (1887), Friedrich Nietzsche

Em três ensaios reunidos neste livro, Nietzsche trata do conceito de moral e como ela foi constituída ao longo da história. Passando pela crítica tanto à tradição religiosa quando à da filosofia ocidental, o filósofo trata a história da ética como uma história cruel.

Todas as coisas “boas” foram noutro tempo más; todo o pecado original veio a ser virtude original.
Genealogia da Moral. Friedrich Nietzsche
O esquecimento não é só uma vis inertioe, como crêem os espíritos superfinos; antes é um poder activo, uma faculdade moderadora, à qual devemos o facto de que tudo quanto nos acontece na vida, tudo quanto absorvemos, se apresenta à nossa consciência durante o estado da “digestão” (que poderia chamar-se absorção física), do mesmo modo que o multíplice processo da assimiliação corporal tão pouco fatiga a consciência.
Genealogia da Moral. Friedrich Nietzsche

10. O mal-estar na civilização (1930), Sigmund Freud

Nesta investigação das origens da infelicidade, Freud faz uma grande sessão psicanalítica política da sociedade, sobre sua forma civilizada de vida e o conflito entre a libido e a agressividade. Uma verdadeira imersão na teoria freudiana de psicanálise cultural.

Se o desenvolvimento da civilização é tão semelhante ao do indivíduo, e se usa os mesmos meios, não teríamos o direito de diagnosticar que muitas civilizações, ou épocas culturais - talvez até a humanidade inteira - se tornaram neuróticas sob a influência do seu esforço de civilização?
O mal-estar na civilização. Sigmund Freud
Contra os ataques é possível nos defendermos: contra o elogio não se pode fazer nada.
O mal-estar na civilização. Sigmund Freud

11. Origens do totalitarismo (1951), Hannah Arendt

Exilada nos Estados Unidos desde 1933, a filósofa judia alemã Hannah Arendt foi uma das principais intelectuais que pensaram sobre a ascensão do anti-semitismo que levaram aos campos de extermínio durante o regime Nazista na Alemanha. Na tentativa de entender aquilo que é considerável incompreensível, Arendt examina as políticas comuns aos regimes totalitários do início do século XX. 

A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos.
Origens do totalitarismo. Hannah Arendt
A diferença fundamental entre as ditaduras modernas e as tiranias do passado está no uso do terror não como meio de extermínio e amedrontamento dos oponentes, mas como instrumento corriqueiro para governar as massas perfeitamente obedientes.
Origens do totalitarismo. Hannah Arendt

12. A Sociedade do Espetáculo (1967), Guy Debord

Uma crítica de como consumo se tornou central na sociedade capitalista, desde a aquisição de bens como de produtos culturais. O filósofo, cineasta e ativista Guy Debord reflete sobre como a sociedade se tornou passiva aos valores estabelecidos o papel dos meios de comunicação e indústria cultural para que os os indivíduos passem a viver num mundo de aparências.

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos.
A Sociedade do Espetáculo. Guy Debord
No mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso.
A Sociedade do Espetáculo. Guy Debord

13. Vigiar e Punir: o nascimento da prisão (1975), Michel Foucault

Este livro é considerado aquele que mudou a forma de se pensar a filosofia política ocidental. Vigiar e Punir se debruça sobre os métodos de punição aplicados em prisões, hospitais e escolas pelo Estado e traz uma análise profunda de como a disciplina e a repressão foi aplicada na sociedade e influencia diretamente o sistema penal e toda o modo de pensar na modernidade.

A alma, efeito e instrumento de uma anatomia política; a alma, prisão do corpo.
Vigiar e Punir. Michel Foucault
Mas podemos sem dúvida ressaltar esse tema geral de que, em nossas sociedades, os sistemas punitivos devem ser recolocados em uma certa “economia política” do corpo: ainda que não recorram a castigos violentos ou sangrentos, mesmo quando utilizam métodos “suaves” de trancar ou corrigir, é sempre do corpo que se trata – do corpo e de suas forças, da utilidade e da docilidade delas, de sua repartição e de sua submissão.
Vigiar e Punir. Michel Foucault
A culpa não começava uma vez reunida todas as provas: peça por peça, ela era constituída por cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado.
Vigiar e Punir. Michel Foucault

14. Modernidade Líquida (1999), Zygmunt Bauman

O filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman, recentemente falecido, pensa nas relações estabelecidas na modernidade como muito mais fluidas e menos duradouras em relação ao passado. É por isso que ele cunhou o termo de Modernidade Líquida, que dá título ao seu livro, para descrever uma sociedade sempre em movimento, que precisa se adaptar e reinventar o tempo todo num mundo imprevisível.

“Fluidez” é a qualidade de líquidos e gases. (…) Os líquidos, diferentemente dos sólidos, não mantêm sua forma com facilidade. (…) Os fluidos se movem facilmente. Eles “fluem”, “escorrem”, “esvaem-se”, “respingam”, “transbordam”, “vazam”, “inundam” (…) Essas são razões para considerar “fluidez” ou “liquidez” como metáforas adequadas quando queremos captar a natureza da presente fase (…) na história da modernidade. Tudo é temporário, a modernidade (…) – tal como os líquidos – caracteriza-se pela incapacidade de manter a forma.
Modernidade Líquida. Zygmunt Bauman

15. Sociedade do Cansaço (2010), Byung-Chul Han 

Em somente 136 páginas na edição brasileira, o filósofo Byung-Chul Han, diretamente influenciado pelos escritos de Foucault, reflete sobre como a sociedade disciplinadora do século XX dá origem para uma nova configuração no século XXI. Com constantes estímulos para melhora de eficiência, superação de metas e reconhecimento social ao mesmo tempo em que crescem as doenças de depressão, síndrome de hiperatividade e episódios de Burnout, A Sociedade do Cansaço mostra a inversão perversa do sistema de disciplina. 

A sociedade do século XXI não é mais a sociedade disciplinar, mas uma sociedade de desempenho. Também seus habitantes não se chamam mais 'sujeitos de obediência', mas sujeitos de desempenho e produção. São empresários de si mesmos.
Sociedade do Cansaço. Byung-Chul Han
Quem se entendia no andar e não tolera estar entediado, ficará andando a esmo inquieto, irá se debater ou se afundará nesta ou naquela atividade. Mas quem é tolerante com o tédio, depois de um tempo irá reconhecer que possivelmente é o próprio andar que o entendia. Assim, ele será impulsionado a procurar um movimento totalmente novo. Comparada com o andar linear, reto, a dança, com seus movimentos revoluteantes, é um luxo que foge totalmente do princípio do desempenho
Sociedade do Cansaço. Byung-Chul Han

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